Literatura
| Romance
Fazes-me Falta
Inês Pedrosa, 2002
Há pessoas que têm a capacidade de passar para o papel todos os
pensamentos e sentimentos que bóiam algures dentro de nós - conseguem
exprimi-los e identificá-los, mesmo quando ainda nem sabemos que eles
existem, até os vermos exibidos despudoradamente nas páginas de um
livro.
É isso que acontece ao ler os livros de Inês Pedrosa. Fazes-me Falta é um romance que roça o limiar da poesia, um altar erigido ao culto da
amizade e do amor, no qual duas vozes se intercalam: a primeira
pertence a uma pessoa que acabou de morrer, embora não consiga
encontrar o eterno descanso por continuar demasiado ligada à vida e às
pessoas que deixou. É uma alma que vagueia, perdida nos momentos e nas
curvas do tempo, que revê e relativiza as urgências terrenas com a
infinitude da eternidade.
A segunda voz sai da garganta de alguém que sofreu a perda de uma
pessoa muito próxima, um complemento de si mesmo, um anexo da sua alma.
Esta voz viaja nas dores das ausências, dos silêncios, nas
interrogações acerca dessa coisa suja e egoísta que é a morte, essa
promessa inquebrável que nos fazem à nascença, essa bruxa maldosa que
não respeita nem amores, nem ambições... Nem sequer segue qualquer
ordem lógica ou critério. Às vezes faz-se anunciar, outras vem de
repente, para que o sofrimento se dilua na surpresa.
Não estão neste livro as respostas às mais variadas questões
metafísicas que nos possam ocorrer sobre a vida e a morte. Mas conduz à
reflexão: amamos as pessoas como devemos enquanto podemos? Isto é
irreparável, se nos apercebermos que não tarde demais. Aclamado pela crítica, esta obra foi considerada o melhor romance
de Inês Pedrosa. As opiniões são subjectivas, mas é inegável que Inês
Pedrosa se impõe cada vez mais como um vulto entre os autores de língua
portuguesa. Sítio Oficial
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