banner
Quem Somos | Recrutamento | Ficha Técnica | Contactos  
Logótipo Rascunho

 
 
Não é o que parece, e ainda bem.
Do mesmo artista
apontador Death Proof/ À Prova de Morte, 2007
apontador Kill Bill – volume I e volume II, 2004
apontador Reservoir Dogs/ Cães Danados, 1992

Artigos Relacionados
apontadorEstamos em guerra!
apontadorHong Kong constrói museu para Bruce Lee
apontadorCannes: grandes mestres contra a crise
apontadorSundance: duas mãos cheias de filmes... independentes

 
   
 Cinema  |

Inglourious Basterds/ Sacanas sem Lei

 Quentin Tarantino, 2009

 

 

Antes de quaisquer outras considerações: a campanha de promoção de Inglourious Basterds não é apenas enganosa, chega a mesmo a danificar o filme que vende. Da alta rotação de spots pelos insípidos programas de agendamento cultural televisivos do costume apenas se podia extrair que Basterds ia ser um exploitation sem consequência, uma procissão de serviços por encomenda a um público que não gosta de ser surpreendido. Vale a pena ignorar a barragem de publicidade inane e tomar o filme por esse aval mais importante: o prémio de melhor actor para Christoph Waltz em Cannes.

 

Com o papel de um oleoso coronel das SS, Waltz interpreta Hans Landa com deleite visível, sem a teatralidade ou a fome de cenário de outros Sacanas no filme. É dele o protagonismo no primeiro capítulo (o filme divide-se em cinco, auto-contidos mas em continuidade), uma estória simples com diálogo refinado que pode bem ser dos melhores prólogos desta década. O desempenho de Waltz nesta longa cena (mesmo sendo mais curta que a versão mostrada em Cannes) marca um tom para o resto do filme que é muito diferente da promoção palpitante e fetichista a que fomos sujeitos. Ainda bem.

 

O capítulo seguinte já nos apresenta os Sacanas, uma companhia de tropas aliadas que desenvolve acções de guerrilha brutais na França ocupada. Lideradas pelo tenente Aldo Raine (um Pitt preguiçoso mas adequado), o seu objectivo é não exactamente atingir alvos militares, mas antes aterrorizar o inimigo, fazendo de si próprios contos de terror para os alemães. Já bastante foi dito acerca do tratamento desumano a que foram sujeitas as personagens nazi neste filme, e ainda mais será. Mas levar um filme de Tarantino à letra é um erro.

 

Os nacionais-socialistas estão aqui não como avatares do exército de Hitler na Segunda Guerra Mundial, mas antes como avatares da representação deste «outro lado» no cinema. Ainda que as suas partes (personagens?) possam estar caracterizadas com contornos de humanidade, tanto a chefia como a facção no seu todo são apresentados como o monstro contra o qual é permitido aos protagonistas cometer todo o género de violência e ofensa sem rebates morais.

 

Será difícil, contudo, apontar a violência (por mais presente e crua que esteja) como a grande propriedade de Inglourious Basterds. Desde o ritmo do primeiro capítulo, esse monólogo a dois à velocidade da paisagem pastoral francesa, que Tarantino exibe uma tendência para o suspense. Tanto aqui como em outros momentos chave do filme, é fornecida suficiente informação ao espectador para assegurar uma certa previsibilidade dos desfechos.

 

O tom intimista é também sublinhado pelo desenho de produção. Pouquíssimas cenas foram filmadas em exteriores, e com a rara excepção de a sala de cinema onde tem lugar o grand guignol final, os interiores onde se movem os personagens são pequenos, atravancados de bricabraque (incluindo delícias de período como garrafas de champanhe florais ou mobília rococó). Algo que acomoda o facto de nenhuma das batalhas envolver grande logística militar, tratando-se de corpo-a-corpo apaixonado e impulsivo.

 

Mais poderia ser dito de prestações como a de Mélanie Laurent, segura e subtilmente dominadora. Ou de Daniel Bruhl, que consegue ilustrar o seu personagem num espaço muito reduzido. Mas a trama ziguezagueante de Basterds merece a reserva. De louvar ainda a sede de discussão popcultural do realizador, que aqui se conseguiu restringir a um par de conversas sobre o cinema de propaganda de Goebbels e à escolha da banda sonora.

 

A Segunda Guerra Mundial é o conflito mais presente na consciência ocidental, por várias razões. A sua iconografia já está estabelecida e de uma maneira algo falaciosa é considerada o conflito onde a humanidade, de alguma forma, perdeu a sua inocência. Tarantino não vem propor-nos algo de novo. Inglourious Basterds estaria tão confortável numa Gália saqueada por romanos como nesta França ocupada. Nem será esse o seu objectivo. Como sempre, traz-nos um filme de género que não cabe em género nenhum, um diálogo de convenções e inovações com os requintes obsessivos próprios de um amante de cinema.

 

 

Sítio Oficial | IMDb

 
Adicionar ao del.icio.us Adicionar ao Digg Adicionar ao DoMelhortwitter
 

Comentar

 

Nome* :
Email:
Url:
Comentário* :
Controlo de SPAM
insira por favor a data de hoje.
Dica:09-02-2010
  * campos obrigatórios
   

projectos

In-Culto Rasarte

parceiros

Audiência Zero Esec TV Mapa de Salas
 
Quem Somos | Ficha Técnica | Contactos
Rascunho.net © 2005-2008 | Mais Olhos que Barriga - Associação Cultural