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Viagem ao mundo da «poetisa do punk»



O filme integra a secção IndieMusic do Festival IndieLisboa [ver blogue especial], a decorrer até ao dia 4 de Maio. A próxima sessão será na sexta-feira, dia 2, às 21h30, no Teatro Maria Matos. FQ, 27.04.08

Do mesmo artista
apontador Patti Smith: Dream of Life, 2009

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 Cinema  | Documentário

Patti Smith – Dream of Life

 Steven Sebring, 2008

 

 

Uma viagem pela filosofia e arte da mulher que nunca sonhou ser cantora, e hoje é um dos maiores ícones do movimento punk norte-americano da década de 70, é a proposta do filme, autobiográfico, que segunda a artista demorou 10 anos a fazer. A autora do explosivo álbum Horses (1975) e percursora da fusão do rock and roll e do punk com poesia recitada à mistura, é a narradora do exuberante livro de memórias, altamente intimista, apresentado no IndieLisboa.

 

Em Patti Smith – Dream of Life visitamos sítios especiais, identificamos inspirações, conhecemos amigos, identificamos memórias, escutamos, absorvemos, gritamos para dentro. Filmado maioritariamente a preto e branco, o filme não segue uma ordem cronológica. O fio condutor é ela, sempre ela, Smith num registo algo narcisista que porém não ‘fere’, em parte porque as diferentes abordagens à sua vida pessoal, ao longo do filme, mantêm uma certa dinâmica. Contado de forma arrebatadoramente poética, o retrato da vida da artista multiplica-se por diversos cenários, entre eles um quarto tão desarrumado como a sua aparência, e onde Smith abre o baú de memórias e tira de lá a velha pollaroid, a guitarra que o amigo Sam Shepard lhe ofereceu e que Bob Dylan gabava, o vestido favorito na infância, o gato; ali conhecemos de forma surpreendente o lado sensível e feminino da cantora, em oposição à aparência dura e masculina que sempre a caracterizou.

 

Sentada à janela com o sol a realçar a cabeleira desalinhada Patricia Lee Smith fala das raízes em Chicago, apresenta-nos a família e a casa que a viram crescer, em Nova Jersey, fala da grande mudança da sua vida chamada Nova Iorque. Foi lá que conheceu Robert Mapplethorpe, protagonista da talvez mais conturbada das suas polémicas e ambíguas relações amorosas. Aliás, a morte de Robert, em 89, é uma sombra recorrente das confissões da cantora. Bem como a do irmão e do ex-guitarrista dos MC5 Fred ‘Sonic’ Smith, com quem casou e se mudou para um subúrbio de Detroit, onde viveu isolada com os filhos, durante a maior parte da década de 1980.

 

 

Além da viagem interior há os palcos e o retorno às luzes da ribalta nos finais dos anos 90. O ressurgimento das performances explosivas e intervenções politicamente incorrectas da mulher que levou o lado feminista e intelectual ao punk. Ao longo da película são muitas as referências a variadíssimos autores, escritores, compositores ou simplesmente amigos. Tributos a Ginsberg e Rimbaud, e a participação no próprio filme de nomes como Phillip Glass, Michael Stipe (R.E.M.) e Flea (Red Hot Chili Peppers). Nem Thom Yorke escapa de uma breve aparição ao lado da lendária rocker, conhecida como «a poetisa do punk».

 

 

Sítio Oficial | IMDb

 
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