Cinema
| Documentário
Patti Smith – Dream of Life
Steven Sebring, 2008
Uma viagem pela filosofia e arte da mulher que nunca sonhou
ser cantora, e hoje é um dos maiores ícones do movimento punk norte-americano da
década de 70, é a proposta do filme, autobiográfico, que segunda a artista demorou 10 anos a fazer. A autora do explosivo álbum Horses
(1975) e percursora da fusão do rock and roll e do punk com poesia recitada à
mistura, é a narradora do exuberante livro de memórias, altamente intimista, apresentado no IndieLisboa.
Em Patti Smith – Dream of Life visitamos sítios especiais, identificamos
inspirações, conhecemos amigos, identificamos memórias, escutamos, absorvemos, gritamos para dentro. Filmado maioritariamente
a preto e branco, o filme não segue uma ordem cronológica. O fio condutor é
ela, sempre ela, Smith num registo algo narcisista que porém não ‘fere’, em parte porque as diferentes abordagens à sua vida pessoal, ao longo do filme, mantêm uma certa dinâmica. Contado de forma arrebatadoramente poética, o retrato da vida da artista multiplica-se por diversos cenários, entre eles um quarto tão desarrumado como a sua aparência, e onde Smith abre o baú de memórias e tira de lá a velha pollaroid, a guitarra que o amigo Sam Shepard lhe ofereceu e que Bob Dylan gabava, o vestido favorito na infância, o gato; ali conhecemos de forma surpreendente o lado sensível e feminino da cantora, em oposição à aparência dura e masculina que sempre a
caracterizou.
Sentada à janela com o sol a realçar a cabeleira desalinhada Patricia
Lee Smith fala das raízes em Chicago, apresenta-nos a família e a casa que
a viram crescer, em Nova Jersey, fala da grande mudança da sua vida chamada
Nova Iorque. Foi lá que conheceu Robert Mapplethorpe, protagonista da talvez
mais conturbada das suas polémicas e ambíguas relações amorosas. Aliás, a morte
de Robert, em 89, é uma sombra recorrente das confissões da cantora. Bem como a
do irmão e do ex-guitarrista dos MC5 Fred ‘Sonic’ Smith, com quem casou e se
mudou para um subúrbio de Detroit, onde viveu isolada com os filhos, durante a
maior parte da década de 1980.

Além da viagem interior há os palcos e o retorno às luzes da
ribalta nos finais dos anos 90. O ressurgimento das
performances explosivas e intervenções politicamente incorrectas da mulher que levou o lado feminista e intelectual ao punk. Ao longo da película são muitas as referências a variadíssimos
autores, escritores, compositores ou simplesmente amigos. Tributos a Ginsberg e
Rimbaud, e a participação no próprio filme de nomes como Phillip Glass, Michael Stipe (R.E.M.) e
Flea (Red Hot Chili Peppers). Nem Thom Yorke escapa de uma breve aparição ao lado
da lendária rocker, conhecida como «a poetisa do punk».
Sítio Oficial | IMDb
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