banner
Quem Somos | Recrutamento | Ficha Técnica | Contactos  
Logótipo Rascunho

 
 
«I'm gonna eat an apple and pray»

O número quatro das edições Rasarte está partido entre Coimbra, Lisboa e Cantanhede. É um EP de quatro canções – Just kiss me, Adam (My name is…), Breaking point e The guy from the caravan – e resulta da remistura e masterização da primeira demo do projecto. Serve de porto intermédio para o álbum de estreia.




Numa única palavra, The Guys From The Caravan escreve-se Rocklor. O termo é chamado à superfície pelos próprios e o propósito não podia ser mais simples: definir o som da banda. É que à base Pop/ Rock – comum a tantos –, estes rapazes acrescentam uma boca cheia de Folk. E o resultado é delicioso. Não importa se o termo foi utilizado antes ou não, se a originalidade prevalece ou se cai às mãos da História. Importa a música. E essa vale-se a si mesma – sem subterfúgios.


Bruno Vasconcelos (voz e guitarra), Jorge Ferreira (guitarra), José Almeida (bateria) e Gonçalo Forte (viola baixo) são os rapazes da caravana. Daniel Barradas assina as ilustrações.

Artigos Relacionados
apontadorMagnífico Material em Stock — Dia 1
apontadorAfinal, a felicidade da indie pode mesmo estar na música em stock
apontador«Volta e meia somos capturados por Ovnis e passamos rapidamente de um sítio para o outro»
apontador01: Projecto (em) Fuga para as bancas

 
   
 Música  | EP

The Guys From The Caravan

 The Guys From The Caravan, 2007

 

 

Alterar isto daqui para ali. Uma vírgula: falhaste, homem!, não vês? Leva-me o relatório ao gabinete: quero estudo detalhado sobre a produtividade da gramática na empresa; quero todos os pontos analisados: o assédio constante ao i, a insolência da interrogação, o pasmo da exclamação e a petulância de pequeno burguês do ponto final. Sem desculpas: quero chegar a casa a horas de jejuar o deus da minha mulher, sacudir o pó ao gato e fazer conta que me importa o puto: querida, o trabalho não pára – mais um relatório hoje, é a crise, não há folga; levas o lixo à porta?, sim, sei-te cansada, um dia isto acaba, mudamos para uma casa melhor, mais espaço para o miúdo, mais ar, vais ver, tu com ajuda para a ciência doméstica… bolas!, esqueci os balancetes no escritório, vou lá voltar, não esperes por mim, vai descansar, amo-te.

Claro que me lembro da bebedeira que apanhei ontem: ofuscou-me a alvorada! Dê-me whisky, vá. Velho, duplo e com uma pedra de água. Isso foi ontem, meu caro, hoje tenho relatório no escritório – não podem haver esses nos pés, nem bigornas a segurar aço. Venha cá. Sabe, você é negociador importante de uma multinacional. Reuni consigo ontem lá no escritório. Tratámos de propostas muito concretas para dar nome à empresa no mercado. Chegámos, veja bem!, a pôr em cima da mesa uma possível cotação em bolsa para dentro de três, quatro anos.

 

Quantas lágrimas lhe caem nas mãos por noite? Parece compreensivo. Só de limpar os copos à minha frente e fazer pente dos seus ouvidos ao meu lamurio desalinhado ajuda que nem imagina. Volte a encher, por favor: o bar está vazio: não posso criar confusão com ninguém hoje. Obrigado. Minto à minha mulher quase diariamente – sabe, não é? Não é plano simples: invento relatórios e documentos desnecessários na empresa, que obrigo a malta mais nova a preparar e redigir para poder reflectir sobre eles depois do expediente; à noite não está ninguém na empresa – posso bem estar lá a trabalhar sem estar. Depois, é tudo inconclusivo. Tudo menos estas horas preciosas aqui, no bar. Fico contente com este whisky a mais.

Não amo a minha mulher. Companheira incansável, amiga imprescindível, sim. É parte de mim, mas não sou livre. Percebe? E o puto, um definhado! Dá-me pena. Dá-me pena não ter a força de espírito para lhe fazer da poesia da minha juventude um gelado apetecível. Jogos e mais jogos inconsequentes. Corcunda à primeira década de vida, óculos graves. Tem dores de cabeça impensáveis – dizem que é o ar que se está a tornar irrespirável. Não sou um fugitivo, nem dissidente: mas um grosseiro resignado. Mantenho o Caravana no roteiro para me permitir agarrar o peito, pensar-me apaixonado. Acreditado no amor e nas cores, na música, na dança, no brilho dos olhos, na literatura de nuvens brancas, na leve passeata ao sol da manhã tardia, deixado ao acaso do sono de jardim, dos bilhetes trocados no comboio com desconhecidos, da simplicidade da vida. Percebe o que lhe digo, não é? Estamos presos.

 

Precisamos de uma saída do razoável: mas montamos sempre a tenda em lama. Não sei se precisamos de deus, mas a mão e a canção são vitais. Não se podem perder em mentiras encolhidas. Os grilhões são de fogo: assam-nos a carne sem piedade nem oportunidade. Vê os noticiários – sabe o mundo, não é? Precisamos de um enfarte que ensaie um ponto de viragem. Digo-lhe que os 20 minutos que aqui passo e as quatro rodadas de whisky me fazem a vida. Voltarei sempre aqui cantar meia dúzia de ideias e estórias consigo. Ainda espero a noite em que esquecerei a chave: até amanhã, meu caro.


Declaração de interesse: este EP está editado com o selo da Rasarte, netlabel dirigida pelos responsáveis do Rascunho, do qual depende directamente.


MySpace

 
Adicionar ao del.icio.us Adicionar ao Digg Adicionar ao DoMelhortwitter
 
 

Comentários

Evelyn
24-05-2008
Neste cenário que descreve, comum a todos aqueles que se encontram em questionamento interior, mas derivado à dificuldade de gestão entre os vividos e as diferenças temperaturas intelectuais do dia a dia, há que despertar em si um Querer inevitável, pelo Bailado Felino, isto é, a dinâmica harmoniosa e vitoriosa entre a Sensualidade de Ser, a Ousadia e a Prudência dos seus Desejos mais ferventes.
Seu filho, pedaço do seu Ser, sua Mulher companheira são duas riquezas em que os seus conhecimentos lhe permitirão oxigenar toda a névoa proveniente de um questionamento interior. Lembre-se Hugo que a Vida é uma arte de ensinamentos e nada mais Belo enaltecer toda a arte de Ser que desabrocha em si, bem como beber o conheciemnto da arte de quem lhe quer bem.
sombra e luz
14-09-2007
...nada...
...ok...ok....
Até à manhã meu caro...
sombra e luz
13-09-2007
... uma pessoa para aqui....a forçar a vista já cansada com esta letra super minuscula...sem saber se é para rir ou pr'a chorar....muito mais convivial que o barman...e nada... nem mais um pio?....
ok...ok...
eu
13-09-2007
... uma pessoa para aqui....a forçar a vista já cansada com esta letra super minuscula...sem saber se é para rir ou pr'a chorar....muito mais convivial que o barman...e nada... nem mais um pio?....
ok...ok...
sombra e luz
11-09-2007
você não perdoa...
E tem toda a razão!... Mas desculpe que lhe diga que só está preso ao seu comodismo...
Coitado do puto, leve-o a ver o mar, se calhar não imagina o que ele lhe pode contar sobre marés e os marinheiros... Menos whisky, mais passeios ao luar... a pensar na vida e na forma de lhe dar uma volta...
Gostei do seu texto...

Comentar

 

Nome* :
Email:
Url:
Comentário* :
Controlo de SPAM
insira por favor a data de hoje.
Dica:09-02-2010
  * campos obrigatórios
   

projectos

In-Culto Rasarte

parceiros

Audiência Zero Esec TV Mapa de Salas
 
Quem Somos | Ficha Técnica | Contactos
Rascunho.net © 2005-2008 | Mais Olhos que Barriga - Associação Cultural