As dez canções da década ou a controvérsia do NME parte II
Depois dos álbuns, chegou a vez do top 100 das melhores canções da década. Crazy in love, de Beyoncé, é o número um. A polémica continua de dentro da redacção do NME para fora.
Foi apenas na semana passada que o New
Musical Expressdivulgou o Top
100 dos melhores álbuns da década. As omissões, lugares atribuídos ou
mesmo a introdução de determinados pares artista/álbum fez correr muita tinta –
leia-se,bater muita tecla– no blogue oficial da revista
britânica. O primeiro lugar foi para Is This It, o álbum de 2001 dos The Strokes, o que nas votações
«Reader’s Choice» não tem estado muito abaixo – esta manhã ocupava o quarto lugar.
Mas foi hoje, com a divulgação das 100
melhores músicas da década, que a bomba rebentou. Ainda com pouco feedback, é
certo – nos blogues impera a ironia ou o estado de choque –, mas o «Reader’s
Choice» deste Top 100 promete ser muito diferente da escolha da redacção da revista britânica,
composta maioritariamente por críticos da casa.
O primeiro lugar foi
parar ao outro lado do oceano, com Beyoncé e o hit de 2003 Crazy in love. Além da controvérsia gerada pela escolha – o NME é
conhecido por se concentrar mais no indie europeu –, os dedos críticos apontam
principalmente a estrutura da faixa de Beyoncé escolhida para encabeçar a lista, que é na sua grande maioria samplada de Are
you my woman (tell me so) (1970) dos The Chi-Lites. Com este número um divulgado, a polémica disparou e só os próximos
dias de votação do público mostrarão a divergência de opiniões.
The Strokes voltam a figurar no Top 10 com
a faixa Hard to explain (2001),
primeiro single oficial da banda nova-iorquina, enquanto os kudos vão para os
Yeah Yeah Yeahs, que aparecem quatro vezes na metade superior do Top, e para
bandas como Arctic Monkeys, Arcade Fire, White Stripes ou Radiohead, que também
fazem aparições múltiplas ao longo da lista. Destaque ainda para estranhezas
e (aparentes) incoerências ilustradas por faixas como Toxic (2004) de Britney Spears, Milkshake (2003) de Kelis ou Umbrella (2007) de
Rihanna, além da presença solitária de Back
to black (2006) de Amy Winehouse num triste 61.º lugar.
Pode dizer-se que o que mais espanta não é
a inclusão de faixas Pop, R&B ou Soul no Top 100 – pois ninguém retira o
valor a músicas como Crazy (2007) de
Gnarls Barkley –, mas ver Kylie Minogue entre The Knife ou Tv On The Radio não
deixa de ser estranho – mais uma vez, pelo tipo de tops que o NME nos tem vindo
a habituar. O Top 100 sairá na íntegra no número desta semana, dedicado às melhores 25 rockstars da década. A ver se desta vez os
leitores não estranham tanto as escolhas da revista inglesa.
As canções omissas
O RASCUNHO tem uma dezena de canções na manga que crê
terem sido injustamente esquecidas pelo NME. Os temas não estão organizadas por qualquer ordem em especial:
Good
fortune (2000), P. J. Harvey (de Stories from the City, Stories from the Sea)
TKO (2004), Le Tigre (de This
Island)
We
don’t play guitars (2003), Chicks On Speed ft.
Peaches (de 99 Cents)
Clint
Eastwood (2001), Gorillaz (de Gorillaz)
Playground
love (2000), Air (de The Virgin Suicides OST)
Whatever
happened to my rock’n’roll? (2001), Black Rebel
Motorcycle Club (de BRMC)
Are
you gonna be my girl? (2003), Jet (de Get Born)
Bathwater (2000), No Doubt (de Return of Saturn)
Everyday
I love you less and less (2005), Kaiser Chiefs (de Employment)
Valerie (2007), Mark Ronson ft. Amy Winehouse (de Version)