30.01.2009 | Arte & Design | Moda
Uma Andorinha não faz a Primavera. E uma Borboleta, será que sim?
Ainda se aproveitam os últimos saldos nas lojas, mas as montras já se cobrem de peças mais coloridas e leves – os avanços de temporada. O RASCUNHO deu uma volta pelas novidades e regista as sugestões de vários criadores para a estação que se segue.
Apesar do frio que insiste em não nos deixar, ao passarmos
nas lojas (e não só) já começamos a suspirar pelos luminosos dias de Primavera.
Vai daí, resolvemos espreitar o que se vai usar na Primavera/Verão de 2009.
Hoje ficam aqui as dicas para as meninas (mas prometemos que os rapazes não
ficarão esquecidos).
Uma inclinação a que já assistimos nos Globos de Ouro são
vestidos com apenas uma alça. Esta tendência estende-se aos tops e mesmo aos
bikinis, embora os vestidos sejam a
peça-chave na próxima estação. As apostas de estilistas como a
nova-iorquina Donna Karan vão para os cortes fluidos, inspirados nas túnicas
greco-romanas. As transparências dão um toque de ousadia nos modelos mais
convencionais, quer em blusas como em vestidos.
Um motivo repetido ad
infinitum na próxima temporada será a borboleta, tanto nos tecidos como nos
acessórios. Este desenho tem especial destaque nas colecções que parecem saídas
de livros de contos de fadas, em que as manequins encarnam autênticas
Cinderelas do séc. XXI. Entre as casas de alta-costura cujas colecções ilustram
esta tendência contam-se nomes como Channel, Nina Ricci e até Roberto Cavalli
se rendeu. Uma variação deste visual que o torna mais pronto-a-consumir
é o acrescento de pormenores futuristas. Aliás, este estilo já foi catalogado
pelos consultores de moda de «romântico-tecno».
E por falar em pronto-a-vestir, não nos podemos esquecer
daquela peça que atravessa gerações e nunca fica demodé: os jeans vão voltar a usar-se rotos, a fazer lembrar o
estilo grunge e sobretudo… de homem. É isso mesmo, uma importação direitinha
dos Estados Unidos, onde as estrelas vestem as calças dos namorados.
Nos cabelos, o corte bob com franja continua em alta (para
quem não está a ver bem o que é, pensem na Uma Turman no Pulp Fiction). Os
cabelos compridos usam-se soltos e com volume, com óbvias inspirações dos
sixties e seventies – a Penélope Cruz no último filme do Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona, encarna
bem este espírito. Ou então penteados com tranças, sobretudo se for uma trança
só com parte do cabelo, a fazer de arco.

Nas cores, a novidade é o loiro platinado, igual ao das starlets dos fifties, mas atenção que não é uma cor que
favoreça a maior parte das pessoas. É igualmente uma cor que exige muita
manutenção e danifica bastante o fio do cabelo, devido às necessárias
descolorações.
Pormenores exóticos
Os acessórios são o pormenor que faz quase sempre a
diferença, como dizia Christian Dior. Na bijuteria, podemos ter a certeza que
encontraremos formas geométricas, muitas cores e pedras proeminentes ou peças
com inspiração exótica/étnica. Em algumas peças de roupa, também são colocadas
pedras incrustadas.
Os pés das modelos são decorados com sapatos de plataforma, de saltos
vertiginosos. As fivelas, os laços e as aplicações vão estar em alta, assim
como as franjas, tendência que se regista desde a estação passada e da qual
Marc Jacobs é um dos responsáveis. Nas formas tudo é permitido, desde sapatos
quadrados à frente, estranhamente bicudos, redondos ou abertos.
As shopping bags mantêm-se um
acessório muito útil, mas agora em pele colorida ou camurça camel. E já que
falamos em cores, as mais vistas, tanto na roupa como na maquiagem, são a
paleta pastel e as cores primárias, fortes e vivas.
Já no próximo 22 de
Fevereiro assistiremos a um desfile
maior do que o de qualquer semana da moda: a cerimónia de entrega dos Óscares,
transmitida pela televisão de Los Angeles para quase todo o mundo. Nesta
altura agita-se o jogo de bastidores, em que as maiores casas de alta-costura
do planeta se degladiam para vestir esta ou aquela estrela. É quase tão
importante trazer o galardão para casa como ficar no ranking dos mais bem
vestidos, e as escolhas de cada celebridade são alvo de uma análise semiótica,
quase.
| Liliana Pacheco |
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